Canonicidade

A RESPEITO DA CANONICIDADE NAS IGREJAS ORTODOXAS

á no passado, sentimos a necessidade de clarificar o conceito de canonicidade, porque ainda este tema é muito freqüentemente usado por algumas igrejas Ortodoxas irmãs: as assim chamadas “CANONICAS” ou “OFICIAIS”, para desacreditar a outras Igrejas Ortodoxas as quais estão firmemente ancoradas na Fé e na sucessão apostólica, mas cuja presença lhes causa embaraços por razões que afetam a seus interesses particulares. Por esta causa tais igrejas tratam de “estigmatizar” aquelas igrejas irmãs com o cognome de “NÃO CANÔNICAS” (lhe dando uma implícita significância de FALSA IGREJA”) sem cair, ou caindo, de que o que estão dizendo é um grande engano. Aqueles irmãos deveriam explicar primeiro o que significa para eles os conceitos de “CANÔNICO” ou “NÃO CANÔNICO”, e qual é o ponto de referência tomado para definir a canonicidade.

A palavra “CANONICIDADE”, deriva do termo Canon, portanto a “canonicidade” refere-se como todos bem sabemos, ao que esta segundo aos cânones (os apostólicos e os dos sete Concílios Ecumênicos). Ali se encontram dois tipos de cânones: 1- Cânones que se encarregam de questões de fé, que são os pronunciamentos dogmáticos, e 2- Cânones que se encarregam de questões disciplinadoras e de administração. Então quando uma Igreja observa perfeitamente os citados cânones, é absolutamente canônica. O único Canon que realmente não existe; é aquele que dá direito a uma Igreja Ortodoxa a definir como NÃO CANONICA a outra Igreja Ortodoxa; entretanto que algumas igrejas se atribuam semelhante direito a si mesmas, é completamente diferente, e é uma questão absolutamente anti canônica.

Precisamente as chamadas ” igrejas Canônicas” no Ocidente (e não unicamente ali), criam situações absolutamente irregulares ao que se referem à observação dos citados cânones, por exemplo: eles têm bispos residentes em cidades do ocidente com títulos de sedes episcopais do este, em “coabitação” com um ou, mais bispos pertencentes a outras jurisdições “canônicas”. Estas então, contradizem o Canon que proíbe a um bispo residir fora de sua Eparquía, e o que é ainda pior, contradizendo aqueles cânones que proibem sobrepor jurisdições. Outro exemplo são as famosas “Conferências Episcopais” sobre as bases de que Canon foram criadas?

Nós poderíamos citar inclusive, mais destes exemplos: de acordo ao Canon 36 (um Canon bastante esquecido) do Concílio do Trullo, chamado o “quinisext”, diz que todas as chamadas igrejas canônicas devem ou deveriam observar sobre as bases de suas auto definidas canonicidades, sustenta que os patriarcados e as igrejas Autocéfalas que surgiram ou tinham sido reconhecidas desde o ano 692 em adiante, NÃO ERAM CANONICAS. Aquelas igrejas violam o famoso Canon que define o princípio da “PENTARQUÍA”; com efeito, o canonicamente correto para definir a existência de outro patriarcado fora da “Pentarquía” seria necessário convocar um Concílio Ecumênico, enquanto isso a história nos ensina que todos os Patriarcados e as igrejas autocéfalas nasceram depois do Grande Cisma (Moscou, Bulgária, Romênia, Sérvia e Geórgia citando apenas algumas). Elas tiveram que auto proclamar suas autocefalías, sofrendo os ataques de quem se considera no direito de outorgar o “DECRETO” de canonicidade, um direito que, entretanto, nenhum Canon concede. Desta maneira então como resolveremos nós o assunto da canonicidade? Isto demonstra sobre que bases ou conforme a que normas ou regras as chamadas ” igrejas canônicas” definem ou não definem a outra Igreja como canônica. Tudo isto tem um só sentido: tratamos muitas vezes com um problema de interesses exclusivamente particulares de algumas igrejas nacionais, e semelhantes interesses não estão unicamente sobre a conformidade com os cânones da igrejas nem tampouco com o Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo, cuja proclamação é nossa primeira responsabilidade.

O que é ainda, mais interessante de notar, é quão fácil é tornar-se canônico quando a gente decide ser dócil diante dos “Grandes” da ortodoxia. A história contemporânea está infestada de exemplos de igrejas Ortodoxas que foram por certo período chamadas “não-canônicas”, mas que em alguns casos adquiriram sua canonicidade em um curto tempo, posto que na realidade seus status de não-canonicidade era falso.

Um bom exemplo recente é a aceitação em 12 de Março de 1995 por parte do Patriarcado Ecumênico (Constantinopla), dos Bispos Ucranianos Americanos da Diáspora, que por décadas foram chamados “não-canônicos” tanto por Moscou como por Constantinopla. Por anos eles foram difamados como “não-canônicos” e cismáticos; agora em, em uma hora eles se converteram em CANÔNICOS ou OFICIAIS, e um deles, inclusive, estando ausente por problemas de saúde por causa de sua velhice! Se a não-canonicidade daqueles bispos tivesse sido verdadeira, eles nunca poderiam converter-se em canônicos em tão só 60 minutos, e tudo isso sem reconsagração! Este exemplo deve ser uma lição para todos, com o propósito de evitar julgar tendenciosamente e levianamente, de modo absolutamente contrário à Caridade Cristã.

Na história de muitas destas Igrejas, e inclusive, em nossas próprias Metrópoles, há muitos casos análogos de bispos, sacerdotes e diáconos que por uma razão ou outra deixaram sua antiga jurisdição e foram aceitos no seio das chamadas ” Igrejas Canônicas” (Polônia, Moscou, Romênia, Constantinopla e Servia) mantendo suas dignidades eclesiásticas sem nenhum tipo de ré-ordenação, como o ilustrado no caso dos bispos ucranianos e sua aceitação como verdadeiros bispos por parte do Patriarcado Ecumênico; como o caso do primeiro Primado da Metrópoles Ortodoxa Autônoma da Europa Ocidental e as Américas, Dom Gabriel de Portugal, por parte da Igreja Ortodoxa da Polônia.

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